O Bank of America não deixou dúvidas: a JBS continua sendo uma das apostas mais sólidas do mercado brasileiro. Após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, o banco americano reforçou sua recomendação de compra para as ações da gigante frigorífica, mantendo o preço-alvo em US$ 21 até o final de 2026. A mensagem é clara para os investidores — mesmo com margens sob pressão, a capacidade da empresa de gerar caixa robusto mantém o ativo atrativo.
A reação do mercado foi imediata e entusiástica. As ações da JBS (JBSS3) dispararam 8,5% logo após o anúncio, impulsionadas pela combinação de uma receita recorde e um generoso pacote de dividendos. Nos meses seguintes, o papel seguiu firme, acumulando alta de 5,65% conforme analistas digeriam os números. No acumulado dos últimos 12 meses, o título avançou cerca de 30%, negociando na faixa de R$ 39, consolidando-se como um dos grandes vencedores do setor de consumo básico.
Receita histórica e lucros resilientes
Os números de 2025 pintam um quadro de expansão significativa para a maior processadora de proteínas do mundo. A JBS encerrou o ano com uma receita líquida impressionante de US$ 86,2 bilhões, um salto de 12% em relação a 2024. O lucro líquido também respondeu positivamente, crescendo 15% e atingindo a marca de US$ 2 bilhões.
Focando apenas no último trimestre, a dinâmica foi interessante. A receita trimestral bateu US$ 23 bilhões, subindo 15,5% na comparação anual. No entanto, o lucro líquido ficou praticamente estável em US$ 415 milhões (variação de +0,5%). O ponto de atenção aqui foi o EBITDA ajustado, que recuou 7% para US$ 1,72 bilhão, resultando em uma margem de 7,4%. Isso representa uma compressão de 1,8 ponto percentual frente ao período anterior, refletindo os desafios operacionais e pressões de custos que o setor enfrenta globalmente.
O destaque da Seara e o poder das exportações
Nem tudo foi igual dentro do conglomerado. A Seara Foods, braço norte-americano da JBS, brilhou com luz própria. A unidade reportou crescimento de receita de 4,5% no ano, alcançando US$ 9,17 bilhões. Mais importante ainda foi a rentabilidade: a margem da Seara chegou a 12,5%, tornando-a uma das operações mais eficientes do portfólio.
Exportações recordes e uma demanda aquecida no mercado doméstico foram os principais motores desse desempenho. Enquanto o Brasil lida com volatilidade cambial e custos logísticos, a operação nos EUA mostrou resiliência e capacidade de captura de valor, equilibrando a balança do grupo.
O "Carry" que atrai investidores
Aqui está o cerne da análise do Bank of America: o conceito de "carry" forte. Em termos simples, isso significa que a JBS tem uma estrutura financeira capaz de gerar retornos consistentes aos acionistas via distribuição de caixa, mesmo quando o ambiente operacional fica hostil.
A companhia anunciou o pagamento de dividendos de US$ 1,0 por ação, com data prevista para 17 de junho de 2026. Segundo as projeções do banco, o dividend yield projetado deve rondar 7,7% em média entre 2026 e 2030. Para investidores que buscam renda passiva em um cenário de juros altos ou incerteza econômica, esse número é extremamente atraente.
O múltiplo de preço sobre lucro (P/L) da JBSS3 está em 2,94, significativamente abaixo da média histórica da empresa. Isso classifica o ativo como um verdadeiro "Value Stock" (Ação de Valor), onde o preço atual não reflete plenamente o potencial de geração de caixa futuro. Após os resultados, a JBS NV superou sua máxima histórica na Bolsa de Nova York (NYSE), fechando em US$ 17,34.
O que esperar daqui para frente?
O mercado interpretou positivamente a estratégia da JBS de priorizar o retorno ao acionista enquanto gerencia a compressão de margens. A questão agora é observar se a empresa consegue estabilizar seus custos operacionais sem sacrificar o volume de vendas. Com a receita em patamares históricos, há espaço para eficiências que possam recuperar parte da margem perdida no 4T25.
Analistas sugerem que a próxima fase dependerá da gestão de commodity prices e da continuidade do apetite global por proteínas animais. Se a JBS mantiver o ritmo de distribuição de dividendos prometido, o "carrying trade" deve continuar sendo um argumento central para novos aportes no papel.
Perguntas Frequentes
Por que o Bank of America considera a JBS uma ação de "forte carry"?
O termo "carry" refere-se à capacidade da empresa de gerar fluxos de caixa consistentes para distribuir aos acionistas, mesmo em cenários de dificuldade operacional. O BofA destaca que, apesar da compressão de margens no último trimestre, a JBS manteve lucros sólidos e anunciou dividendos robustos, garantindo retorno atrativo (yield projetado de 7,7%) independentemente de flutuações pontuais no preço da ação.
Quais foram os principais destaques financeiros da JBS em 2025?
A JBS registrou receita líquida recorde de US$ 86,2 bilhões (alta de 12%) e lucro líquido de US$ 2 bilhões (crescimento de 15%). Embora o EBITDA tenha recuado 7% no último trimestre devido a pressões de custos, a unidade Seara teve desempenho excepcional com margem de 12,5%, impulsionada por exportações fortes e demanda interna nos EUA.
Quando serão pagos os próximos dividendos da JBS?
A companhia anunciou o pagamento de dividendos no valor de US$ 1,0 por ação. A data prevista para o pagamento é 17 de junho de 2026. Esse valor contribui para o alto dividend yield projetado pelo Bank of America, que estima uma média de 7,7% entre 2026 e 2030.
Como o mercado reagiu aos resultados do 4T25?
A reação foi muito positiva. As ações da JBS subiram 8,5% imediatamente após o anúncio dos resultados e continuaram em alta nos dias seguintes. O mercado valorizou especialmente a combinação de receita recorde com a manutenção de políticas agressivas de distribuição de dividendos, levando a ação a superar máximas históricas na bolsa de Nova York.
O baixo P/L da JBS indica oportunidade de investimento?
Sim, segundo analistas como os do Bank of America. O P/L atual de 2,94 está bem abaixo da média histórica da empresa, caracterizando-a como uma "Value Stock" (ação de valor). Isso sugere que o preço atual pode estar descontando excessivamente riscos temporários, oferecendo margem de segurança para investidores focados em fundamentos e retorno de capital.