‘Iremos tirar a cultura do palanque político’, diz Frias ao politizar verba para festival no Capão

Secretário-especial de Cultura do governo federal, Mário Frias afirmou nesta sexta-feira (12) que a pasta irá “tirar a cultura do palanque político”, numa indireta sobre a negativa da gestão em fornecer verba para o Festival de Jazz do Capão, em Palmeiras, na Chapada Diamantina (leia mais aqui).

O evento teve apoio negado porque, em 2020, os organizadores se posicionaram nas redes sociais como “antifascistas”. Pelo Twitter, o ex-ator de Malhação sugeriu que o festival versa sobre o “combate a um fascismo imaginário” e justificou as escolhas políticas para não conceder patrocínio à festa.

“É inacreditável que estejamos discutindo os motivos de não se autorizar verba pública da Cultura para um evento que se propõe a falar sobre política, num combate a um fascismo imaginário”, escreveu.

“Deveria ser mais do que evidente que verbas da cultura não podem ser desviadas para outras atividades alheias à cultura”, emendou.

Segundo Frias, o país viveu, durante “décadas”, sob um “aparelhamento ideológico dos mecanismos públicos da Cultura”, que, na visão dele, foram feitos por uma “elite sindical”, que ficou “muito mal acostumada” ao “sequestrar a pasta para fins políticos”.

“Já disse inúmeras vezes, nós iremos tirar a cultura do palanque político e vamos devolver para o homem comum. Chega de a usarem para seus projetos partidários”, disse, sem citar quais partidos políticos seriam beneficiados com a realização do evento. Veja publicação abaixo:

Segundo a organização, desde sua criação, em 2010, o evento nunca teve reprovada a captação via lei de incentivo. Agora, no entanto, a Fundação Nacional de Artes (Funarte) alega “desvio de objeto, risco à malversação do recurso público incentivado com propositura de indevido uso do mesmo” para negar o apoio. 

Apesar da decisão do governo, os organizadores do Festival de Jazz do Capão destacaram que a postagem em questão não foi financiada por recursos públicos, já que se deu em 2020, quando sequer houve o evento e tampouco patrocínio. Além disso, eles informam que a publicação não fez parte de divulgação oficial de suas atividades. “Ela não ataca governos, instituições nem pessoas, pelo contrário diz em sua descrição que não podemos aceitar o fascismo, o racismo e nenhuma forma de opressão e preconceito”, escreveram, em nota.

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